Entrevista Traduzida: LA Times – Novembro 2015

Fonte: latimes
Tradução por Nataly Tedeschi.

Os personagens do Tom Hardy o assustam também – mas ele não consegue ficar longe

Veja, Tom Hardy não é um cara mau. Mas ele adora interpretar um – e em “Legend”, ele interpreta dois. Aqui, o ator é fotografado no Festival Internacional de Filmes de Toronto em Setembro. (Jay L. Clendenin / Los Angeles Times)

Existem dois Tom Hardys muito diferentes.

Existe o Tom Hardy que os frequentadores do cinema puderam conhecer na tela, um ator com uma intensidade profunda e um dom especial para interpretar homens fortes, às vezes violentos em filmes como “Bronson”, “Guerreiro”, “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” e “Mad Max: Estrada da Fúria”. Depois, existe o Hardy fora da tela, uma pessoa amável e sensível que ama cachorros e dar abraços e que, falando ao telefone de sua casa em Londres numa recente tarde, conversou animadamente sobre a perspectiva iminente de ser pai pela segunda vez: “Estou esperando um bebê chegar. Pode ser a qualquer minuto!”.

Esse Tom Hardy mais gentil e atencioso – Tommy para os amigos – tem tanto medo quanto qualquer outra pessoa dos tipos de personagens alfa-machos proibidos que ele geralmente interpreta. (“Sou tão masculino quanto uma berinjela,” ele disse uma vez a um repórter.) De uma forma estranha, esse medo é exatamente o que o atrai para esses papéis.

“Eu acho que as coisas que me assustam são irresistíveis e eu quero entendê-las,” Hardy, 38 anos, explica. “Sempre que eu viajo pelo mundo, existe sempre alguém que é um pouco assustador e eu vou coletar isso. Ou animais – Vou aprender com os animais também.” Ele ri. “Embora você não possa realmente conversar com um orangotango irritado do mesmo jeito que fala com as pessoas.”

Enquanto isso acontece, existem também dois Tom Hardys muito diferentes no novo filme do ator, “Legend”. Tendo uma estreia limitada em 20 de Novembro, o filme estrela Hardy no papel duplo de Ronnie e Reggie Kray, os notórios gêmeos gangsteres da vida real que governaram um império brutal do crime organizado em Londres nas décadas de 1950 e 1960. No que muitos críticos estão considerando uma proeza de atuação, Hardy cria um estudo de contrastes, com Reggie ostentando educação e charme, enquanto Ronnie é um paranoico esquizofrênico, propenso a flashes imprevisíveis de violência.

Tente adivinhar qual dos papéis Hardy estava mais animado pra fazer.

Quando Hardy se encontrou pela primeira vez com o roteirista-diretor do filme, Brian Helgeland, num jantar para conversar sobre o filme, Helgeland estava inicialmente interessado em tê-lo apenas para interpretar o Reggie, que é o papel de um protagonista mais tradicional. Mas desde o começo, Hardy estava focado única e exclusivamente no mais perigoso, desequilibrado Ronnie.

“O Tom não quer ser o protagonista de certa forma porque é meio maçante pra ele,” diz Helgeland, mais conhecido como o roteirista de filmes como “Los Angeles – Cidade Proibida” e “Sobre Meninos e Lobos”. Houve um duelo amigável, e ao final do jantar ele basicamente disse, ‘Eu te dou o Reggie se você me der o Ron.’ Eu acho que nenhum de nós percebeu o que tínhamos concordado em fazer naquele momento, mas rapidamente descobrimos.”

Assim como tanto Hardy como Helgeland estavam cientes, o histórico de atores interpretando gêmeos tem sido um pouco irregular. Em uma extremidade do espectro, você tem casos bem recebidos como o de Jeremy Irons em “Gêmeos, Mórbida Semelhança” e Nicholas Cage em “Adaptação”; do outro lado, você tem Jean-Claude Van Damme em “Duplo Impacto” e Adam Sandler em “Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”. Helgeland estava preocupado de isso se tornar um artifício que fosse atrapalhar. “Se você não pudesse esquecer isso, o filme iria afundar,” ele disse.

Os desafios técnicos envolvidos para entregar os papéis duplos foram formidáveis pra dizer o mínimo, especialmente tendo em conta o orçamento relativamente magro do filme de $25 milhões. “No dia a dia, era como jogar um Sudoku que ficava cada vez mais complicado,” Hardy disse. “Não havia muito dinheiro então trabalhamos como se fosse numa peça de teatro, mas com alguns truques na manga.”

Usar a ameaça e a violência dos Kray foi a parte fácil pro ator. “Com o Tom você tem essa tremenda acessibilidade paradoxal como ator e então esse perigo, onde você simplesmente não sabe o que ele vai fazer,” George Miller, que dirigiu Hardy no Mad Max desse verão, disse ao LA Times ano passado.

De onde Hardy tirou essa escuridão, no entanto, permaneceu um mistério pra Helgeland. “Tom é um urso de pelúcia – quando chegava ao set, você tinha que agendar pelo menos 5 minutos pra ele abraçar quase todo mundo na equipe,” Helgeland disse. “Eu sei por coisas que ouvi que ele teve problemas no passado com vício e essas coisas, e com certeza ele tira coisas disso. Mas eu nunca realmente conversei com ele sobre isso.” (No início de sua vida, Hardy lutou com problemas de vício em drogas, mas está sóbrio desde 2003.)

Para Hardy, o maior desafio foi na verdade interpretar o lado romântico do Reggie, quando ele entra em um caso, no fim condenado, de amor com uma garota local da East End chamada Frances (Emily Browning). O fato é que, apesar de toda sua versatilidade como ator, ele nunca se sentiu a vontade sendo o galã romântico.

“Eu me lembro que quando era mais jovem, eu queria interpretar o Mr. Darcy [numa adaptação de ‘Orgulho e Preconceito’,]” Hardy relembra. “Um dos produtores no estúdio me disse categoricamente, ‘Toda mulher tem uma ideia de como o Mr. Darcy é, e temo que você simplesmente não o seja.’ E eu pensei, ‘Justo.’ Obviamente eu não sou um galã romântico, então não vou focar muito minha atenção em ser algo que eu não sou. Eu gosto de interpretar pessoas onde existe uma extensão nelas: um pouco de escuridão e um pouco de luz.”

Se isso significou um caminho mais lento, mais tortuoso para o estrelato, que seja. Mesmo que “A Estrada da Fúria” o tenha lançado para níveis mais altos da fama e ele se vê sendo mencionado como possível sucessor de Daniel Craig como James Bond, Hardy – que será visto em seguida no suspense western de Alejandro G. Iñarritu “O Regresso”, nos cinemas em 25 de Dezembro – diz que a fama em si nunca foi seu objetivo.

“Eu apenas sou o Tommy que faz seu trabalho,” ele disse. “Te garanto que em alguns anos isso tudo vai acabar e vou voltar a ser tão interessante quanto sou, o que não é muito interessante na verdade. Estou apenas atuando aqui e ali. Eu vim entregar uma pizza e tive muita sorte.”

One thought on “Entrevista Traduzida: LA Times – Novembro 2015

  1. Amo todos os filmes dele ..
    O que mais me chamou a atenção foi os infratores ele estava lindo e ficava muito sex com à que lá cara de mau…..amo muito

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *