Em entrevista, Tom Hardy conta como foi produzir e atuar em ‘Taboo’

Ator e agora produtor, conta bastidores de sua nova mini-série e revela novas experiências que adquiriu no projeto.

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Criado por Steven Knight com Tom Hardy e Chips Hardy, a série dramática ‘Taboo’ se passa em 1814 e acompanha James Keziah Delaney (Tom Hardy), um homem marcado para ser morto há muito tempo. Depois de voltar da África para Londres para herdar o que resta do império marítimo do seu pai e reconstruir uma vida para si mesmo, ele rapidamente descobre como acabaram com o legado do pai e descobrindo inimigos espreitando por toda parte. Com conspiração, assassinatos e traição em torno dele, ele deve desvendar um mistério familiar e sobreviver a ele.

Dentro da ala da FX na TCA Press Tour, o tablóide Collider teve a oportunidade de falar com o ator/produtor executivo da série Tom Hardy, tanto durante uma entrevista à sós e depois, durante a coletiva do evento. Hardy falou sobre como isso evoluiu de uma ideia, para um personagem em uma série de sucesso na TV, o que ele acha fascinante sobre seu personagem, como ele se aproxima de seus personagens, o relacionamento complexo com a meia-irmã de Delaney, estar ciente do que estava acontecendo, cada passo da jornada, e como ele ama todos os meios e gêneros. Pode haver alguns spoilers.

 

Quando você teve a ideia para este personagem e pediu ao seu pai para que escrevesse sobre isso, você pensou que ele diria: “Claro, filho! Me deixa ver isso!”?

Não. Foi mais um daqueles, “Muito bem, Tom, muito bom. Bem feito. Você pode me deixar em paz, para que eu possa escrever meu livro?”. Isso é realmente o que eu pensei que seria. Ele saiu e voltou com um projeto dele. Ele havia desenvolvido a história em 1860, e Steve [Knight] então mudou para mais cedo, em 1814. Começar a trabalhar com Steve foi grandioso. Passou apenas de uma pequena ideia entre mim, para o meu pai fazendo o trabalho maior escrevendo sobre algo que poderíamos fazer e apresentar a Steve para dizer: “Por favor, você tem que escrever isso com a gente.” Por fim, ele se juntou à nós e tínhamos um acordo não oficial de “Você faz Locke, e eu vou fazer o seu projeto.” Eu disse, “Absolutamente!” Foi uma vitória porque Locke era brilhante, e eu amo Peaky Blinders (ambos projetos de Knight), também. Steve chegou, mandou ver e aí as coisas começaram a fluir. Ele escreveu esses maravilhosos roteiros, começamos a jornada e reunimos mais membros da equipe, com Ridley [Scott]. Todos esses talentos criativos saíram do papel, e nos divertimos muito.

 

O que você acha tão fascinante em James Delaney?

Há uma mitologia sobre ele. Trata-se de tentar encontrar um personagem em uma situação do mundo real, que também pode ser fantasioso. Ele é uma metáfora da mudança, mas é também um personagem muito complexo e variado, que tem partes iguais, escuras e claras. Ele é alguém que é capaz de fazer algo muito obscuro, mas tem uma qualidade nobre e ética nele. É um personagem fantástico.

 

Onde você começa os personagens que você faz?

Depende do que estou fazendo. Normalmente, eu vejo coisas no script e crio imagens na minha cabeça, e então eu sigo o que eu vejo lá.

 

 

Quando você veio com este conceito, de imediato você teve essas idéias sobre Delaney?

Sim, eu sabia quem Delaney era há nove anos. Só não tínhamos uma história.

 

Vocę é tăo poderoso em ser intimidador. O que você aproveita nisso?

É sobre se transformar em um ambiente. Intimidação, em sua forma básica, é sobre a mudança de temperamento em um ambiente e saber como fazer isso. Eu experimentei muito isso na minha vida. É algo que você pode observar e refletir, como um artista. É algo que eu experimentei na vida real e é realmente horrível. É melhor experimentar na frente das câmeras do que realmente. Sou muito sensível à mudança de temperamento e as experiências que todos nós temos em nossas vidas. Trata-se de quem somos por trás do personagem e da capacidade de mudar a energia em uma sala. É essencial, como ator. Você tem que brincar com essas coisas. Eu uso isso muito no meu trabalho porque eu gosto muito.

 

Como você se sente sobre o relacionamento que James Delaney tem com sua meia-irmã, Zilpha Geary (Oona Chaplin)?

Foi interessante porque Game of Thrones fez um relacionamento incestuoso por anos, então a intenção dele não era ser safado com muita coisa sensual acontecendo. Tratava-se mais de curiosidade, né? A criação do relacionamento, foi no território de Spring Awakenings. Zilpha é a filha da segunda esposa de Horace Delaney, e ela era uma criança que Horace provavelmente preferia ao invés de James. É quase uma punição, mas ele não sabe disso. Ele está obcecado com ela, de um jeito agressivo. Mas Zilpha, embora ela pareça calma e frágil, ela não é. Ela é totalmente estourada. Ela está jogando um jogo. Você vai começar a ver que há muito mais para Zilpha do que se apresenta inicialmente. É uma relação interessante entre James e Zilpha já que é sobre a loucura, a dinâmica familiar, obsessão e sobre o que esse amor se trata. Isso evolui. Nós não queremos alimentar o público com muito suspense nos primeiros três episódios. Nossa intenção é que a história crescesse lentamente, de modo que quando você ver o 8º episódio, você pode voltar ao 1º, assistir novamente e ver que há algo diferente. Há detalhes em que trabalhamos demais. É muito difícil quando você lança algo porque você não sabe se você colocou tudo no lugar certo. Você nunca terminou. Nos três primeiros episódios, temos que apresentar o mundo. É configurado como um horror gótico, e depois se transforma em um ocidental, e então ele entra em território revolucionário, e por fim, vai para o Ocidente.

 

Você teve alguma ideia do quão interessante e profundo esse personagem seria? Você estava envolvido com o desenvolvimento, ao longo do caminho?

Claro, até o fim! Obviamente, eu fazia parte de todo esse processo. Estávamos filmando com firmeza, procurando e entrevistando diversos diretores para encontrar as pessoas certas para colaborar. Era realmente importante que não houvesse líderes. Foi uma colaboração, no verdadeiro sentido da palavra. Precisávamos do roteiro. Precisávamos trazer o talento que tivesse paixão pelo projeto, para que o chefe de cada departamento tivesse um significado profundo no que Taboo iria parecer e sentir. Tudo foi impulsionado pela tonalidade dos roteiros, que esses foram considerados ao longo de vários anos, entre a sala dos escritores, Steve, meu pai e eu. Não há nada em Taboo que eu não fazia parte, mas eu não poderia te dizer qual foi minha função no trabalho. Eu sou apenas uma testemunha, eu acho, mas eu testemunhei um pouco. Eu não poderia te dizer que quaisquer das ideias eram minhas, mas eu estava mantendo o controle das ideias que eu pensei que fossem as melhores. Eu diria: “Acho que devemos adotar essa”, e encorajei todos os que tinham uma ideia melhor para falar e colocar dentro do projeto. Essa foi uma experiência maravilhosa.

 

 

Você sentiu um tipo diferente de pressão na criação de um personagem para o seu próprio projeto, em vez de ser apenas um ator contratado?

Para isso, era mais uma questão de cada personagem ser uma combinação entre o desejo de Steven, meu pai e eu e de criar uma série que tem muita vida nela. Atuar é 5% desse trabalho para mim. O fato de eu saber quem ele era nove anos atrás, para que eu pudesse começar a olhar para outras partes da história ajudou e muito. Tratava-se mais de produzir e averiguar os outros departamentos. Os outros personagens da história foram mais importantes, como parte do meu trabalho para esta produção. E então, eu tive que ir atuar como James também. Foi uma experiência diferente de tudo e é uma enorme responsabilidade. Se der errado, vou me sentir pessoalmente responsável porque fui eu quem saiu e pedi às pessoas que se juntassem a mim. O resto da equipe não pode cometer um erro porque não é culpa deles. Se der errado, é culpa minha. Assim, podem fazer o que querem porque eles não falharão.

 

Você gosta de produzir?

Eu adoro. Eu acho que é algo que eu gostaria de fazer mais. Mas é difícil. É muito mais trabalho do que eu pensei que seria.

 

Você gosta de trabalhar com televisão ou filme?

Adoro televisão, teatro, cinema, rádio. Eu amo tudo isso. Um peixe dourado cresce ao tamanho de sua aquário. Adoro todos os meios de contar histórias.

 

Você tem alguma preferência por gênero?

Sem preferência. Estou praticamente em qualquer coisa. Adoro trabalhar.

 

Agora que você preparou tudo isso, não há nenhuma maneira que você não possa continuar com esse personagem.

Sim, eu quero continuar! Isso é apenas o começo.

 

Taboo vai ao ar todas as noites de Terça no FX!

 

Fonte: Collider
Tradução e Adaptação: Luuan

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